Quanto mais eu conheço sobre as teorias de Helena P. Blavatsky, mais eu a admiro: por sua coragem em expor ideias tão inovadoras, numa época tão resistente ao novo; por trazer outros paradigmas espirituais à Humanidade, razões pela qual foi perseguida muitas vezes por instituições religiosas, por pessoas radicais que não a compreenderam em sua essência assim como também não compreendiam os conceitos de Deus e de espiritualidade que ela tentava ensinar.
Blavatsky considerava os seus pensamentos não como uma nova forma de religião, mas sim como uma filosofia espiritual de vida, se colocava livre de qualquer filosofia religiosa, apesar de comungava das ideias de Jesus – o Cristo, quando Ele ensinava sobre a existência de um Espírito Superior habitando cada Ser Humano.
 
Em: “Helena P. Blavatsky: Revolucionária em seu tempo!“, escrevi você uma breve biografia sobre Blavatsky.
 
O que é uma Oração?
Perguntaram à Helena P. Blavatsky sobre Deus e a oração.
E sua resposta foi fantástica, a meu ver.
Relendo a sua resposta, percebo o quão atual ainda são os seus pensamentos, vindo de encontro com os propósitos espirituais da Grande Fraternidade Branca, especialmente no que se refere à:
1. Há um Poder Divino que permeia toda a criação;
2. Somos Co-criadores de nossa realidade e a criamos através da Vontade Divina em nós;
3. Dissolver o ego inferior e aprimorar-se moralmente – todos os dias, deve ser o Propósito daqueles que desejam a ascensão Espiritual;
4. As Orações onde nos colocamos como “pedintes” devem ser modificadas por Comandos, Afirmações e Decretos.
 
No post: “Saiba como surgiram as Afirmações de Luz” você encontra mais detalhes sobre este tema.
 
Abra-se ao novo!
Abra a sua mente ao ler um trecho do diálogo, publicado no livro “A Chave da Teosofia“, de sua autoria: um livro onde Blavatsky explica os principais fundamentos da Teosofia.
Ao trazer esse diálogo para o Blog Anima Mundhy, desejo que você se sinta estimulado a assumir o Comando da sua vida, transformando a sua maneira de orar.
Como dizem os meus Mentores Espirituais: – “Não peça. Comande!“.
Luz e Paz,
Tania Resende
 
Deus e a Oração
Por Helena P. Blavatsky
No prefácio do livro “A Chave da Teosofia“, Blavatsky escreve:
blavatsky-anima“Não é um texto completo de Teosofia, mas sim, unicamente, uma chave para abrir a porta que conduz a um estudo mais profundo.
“Expresso um verdadeiro agradecimento aos teósofos que me dirigiram
perguntas, o que me ajudou muito a escrever esta obra, que resultará por ela
mesma mais útil, sendo esta sua melhor recompensa.”
 
Perguntas e Respostas
 
P: Acreditam na oração? Vocês rezam?
Não. Trabalhamos em vez de falar.
 
P: Nem mesmo oferecem orações ao Princípio Absoluto?
E por que haveríamos de fazê-lo? Sendo gente ocupada como somos – e temos muito a trabalhar – não podemos perder tempo em dirigir orações a uma pura abstração. O Incognoscível unicamente relaciona suas partes entre si; mas não tem existência quando se trata de relações finitas. A existência e os fenômenos do universo visível dependem de suas formas ativas e de suas leis, não de orações.
 
P: Então não creem na oração?
Não em oração composta de tais ou quais palavras, que se repetem exteriormente, se é que você entende por oração a súplica externa dirigida a um Deus desconhecido.
 
P: Existe outro tipo de oração?
Sem dúvida: nós a chamamos de Oração da Vontade e é muito mais uma ordem, um comando, ou mandamento interno do que uma petição.
 
P: E a quem se reza, então, quando se o faz?
A “nosso Pai no céu” – em seu sentido esotérico.
 
P: Por acaso é diferente do que nos ensina a Teologia?
Inteiramente. Um ocultista ou um teósofo dirige sua oração a seu Pai que existe em segredo e não a um Deus extra cósmico, e, portanto, finito; e esse “Pai” se encontra no próprio homem.
 
P: Então vocês fazem do homem um Deus?
Diga “Deus” e não um Deus. Para nós, o homem interno é o único Deus que se pode conhecer. E como pode ser de outra maneira? Concede-nos o que pretendemos, isto é, que Deus é um princípio infinito universalmente difundido.
Nesse caso, como pode o homem não compenetrar-se com, por e na Divindade? Chamamos nosso “Pai no céu” àquela deífica essência que reconhecemos em nós, no nosso coração e consciência espiritual e que nada tem a ver com o conceito antropomórfico que podemos formar em nosso cérebro ou em nossa imaginação: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que em vós habita o espírito de (o absoluto) Deus?”
O homem deve evitar antropomorfizar ( aquela essência que está nele. Se um teósofo quiser seguir a Verdade Divina e não a humana, não deve dizer que esse “Deus em segredo” escuta o homem finito, ou é separado dele mesmo ou da essência infinita; porque todos são um. Nem tampouco que a oração é um pedido, como acabamos de mostrar. É, isso sim, um mistério; um procedimento oculto pelo qual pensamentos e desejos condicionados e finitos, incapazes de ser assimilados pelo espírito absoluto, que é incondicionado, são transformados em desejos espirituais e em vontade, chamando-se esse procedimento “transmutação espiritual”. A intensidade em nossas ardentes aspirações transmuda a oração em “pedra filosofal”, ou aquilo que transforma o chumbo em ouro puro. Por nossa “oração da vontade”, a única essência homogênea converte-se em força ativa e criadora, e produz efeitos de acordo com nossos desejos.
** Nota: antropomorfizar significa dar forma humana a algo.
 
P:  Pretende com isto dizer que a oração é um procedimento oculto que gera resultados físicos?
Sim. O Poder da Vontade converte-se em força viva, real.
Mas, pobres dos ocultistas e teósofos que, ao invés de exterminar os desejos de seu ego inferior, pessoal, o homem físico, disser a seu Ego Espiritual Superior rodeado de Luz Atma-Búddhica: “Tua vontade se cumpra, não a minha”, usando do poder da vontade para objetivos egoístas ou ímpios!
Isto é magia negra, abominação e feitiçaria espiritual.
A oração comum destrói a confiança em si mesmo.
 
P: Mas o próprio Cristo não rezou e não recomendou a oração?
Assim consta; mas aquelas “orações” pertencem precisamente a essa espécie de comunhão que acabamos de mencionar, com o “Pai Secreto” de cada um.
De outro modo, identificando a Jesus com a divindade universal, seria por demais ilógica e absurda a inevitável conclusão de que Ele, “o próprio Deus”, orou-se a si mesmo, separando a Vontade desse Deus da sua.
 
P: Vou opor mais um argumento, que é muito usado pelos cristãos: “Sinto-me incapaz de vencer minhas paixões e debilidades com minhas próprias forças. Mas quando rezo a Jesus Cristo, sinto que me dá forças e que com sua ajuda sou capaz de vencer”.
Não é estranho. Se o “Cristo Jesus” é Deus, independente e separado do que reza, é claro que tudo é e deve ser possível a “um Deus todo-poderoso”.
Mas então, onde está o mérito ou a justiça de semelhante triunfo?
Por que se há de recompensar ao pseudo vencedor, se só lhe custou algumas orações?
Vocês dariam, embora simples mortais, um dia inteiro de salário ao seu jornaleiro, se fizessem quase todo trabalho em seu lugar, enquanto ele descansava embaixo de uma árvore, só porque ele suplicou que o fizesse?
A ideia de que alguém passe a vida inteira numa ociosidade moral, enquanto que outro – seja Deus ou homem – carregue os trabalhos e deveres mais duros, nos revolta em alto grau, pois é muito degradante para a dignidade humana.
 
P: Mas como explica os frequentes casos de pleno êxito? Onde busca o teósofo o poder e a força necessários para dominar suas paixões e seu egoísmo?
No seu Eu Superior, no Espírito Divino – o Deus que nele habita, no seu Karma. Quantas vezes ainda precisaremos repetir que se conhece a árvore por seus frutos, a natureza da causa pelos seus efeitos?
 
Leia também: Saiba como surgiram as “Afirmações de Luz”, uma entrevista que dei ao Blog Cova do Urso, onde eu explico mais sobre Oração versus Comandos.
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